Na abertura dos trabalhos legislativos de 2026, a presidente da Câmara de Cuiabá, vereadora Paula Calil (PL), afirmou que a instauração de uma Comissão Processante é necessária para que o vereador Chico 2000, afastado do cargo, possa se explicar sobre seu envolvimento em um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares.
Paula Calil ressaltou que ainda é cedo para falar em cassação do mandato e que a comissão servirá para dar transparência ao processo e prestar esclarecimentos à população cuiabana.
“É muito cedo para falarmos em perda de mandato. A Comissão Processante dá oportunidade para que o parlamentar acusado possa se explicar, garantindo transparência à sociedade”, declarou a presidente da Casa.
A parlamentar informou que já existe uma representação solicitando investigação e possíveis sanções por quebra de decoro parlamentar, incluindo a perda de mandato de Chico 2000. O documento foi lido em plenário e será enviado à Procuradoria-Geral da Câmara antes de retornar para apreciação dos vereadores.
“Hoje temos um pedido de perda de mandato contra Chico 2000. Ele será enviado à Procuradoria e depois retornará ao plenário para análise”, explicou Paula Calil.
O afastamento do vereador ocorreu na sequência da Operação Gorjeta, deflagrada pela Polícia Civil em 27 de janeiro. A investigação apura um esquema que direcionava emendas parlamentares ao Instituto Brasil Central, ao empresário João Nery Chiroli e à Chiroli Uniformes, com parte do dinheiro público supostamente retornando ao parlamentar. Servidores da Câmara ligados a Chico 2000 e a outros parlamentares também foram afastados.
Por se tratar de investigação sigilosa, os autos ainda não foram disponibilizados à Câmara. Diante disso, a presidente destacou que a Comissão Processante é a forma adequada de permitir que o vereador apresente sua versão antes de qualquer julgamento.
“Ele precisa explicar à sociedade o que de fato aconteceu. Não podemos emitir juízo de valor antes disso”, afirmou Paula Calil.
Sobre a possibilidade de o suplente Felipe Correa (PL) assumir a cadeira durante o afastamento, a presidente informou que a Procuradoria da Casa deve emitir um parecer nos próximos dias, e, se for o caso, o suplente será convocado.
Este é o segundo afastamento de Chico 2000 neste mandato. No ano passado, ele foi alvo da Operação Perfídia, que investigou um esquema de propina ligado à aprovação de projetos de lei. Na ocasião, ele e o vereador Sargento Joelson (PSB) ficaram afastados por quatro meses.






