Afastado da TV, o apresentador Faustão esclareceu suas frequentes visitas ao hospital após o transplante de rim em entrevista ao Fantástico neste domingo (18). Aos 74 anos, ele explicou que comparece ao hospital duas vezes por semana para sessões de diálise.
"Na verdade, eu só fui hospitalizado duas vezes: para o transplante do coração e para o transplante do rim," disse Faustão. "Eu vou duas vezes por semana para fazer diálise, então as pessoas acham que eu fico hospitalizado direto, não! Já faz uns cinco anos que vou lá duas vezes por semana para fazer diálise."
Transplante de rim
Em abril, o apresentador recebeu alta do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, 47 dias depois de ter se submetido a um transplante de rim. Faustão recebeu o novo órgão exatamente seis meses após passar por um transplante de coração devido a um grave quadro de insuficiência cardíaca. Em junho, sua esposa, Luciana Cardoso, comemorou que "a rejeição (do novo órgão ao corpo) foi vencida".
Em conversa com a Quem, o Dr. Eduardo Tibali, nefrologista do Hospital Edmundo Vasconcelos, explicou como funciona a rotina do paciente pós-transplante de rim, como é o caso de Faustão.
Quem: Quais são as implicações de um transplante de rim?
Eduardo Tibali: O transplante de rim é uma modalidade de terapia renal substitutiva, assim como a hemodiálise e a diálise peritoneal; traz muitos benefícios para os pacientes, pois melhora qualidade de vida e a sobrevida.
Quem: Como muda a rotina do paciente?
EdT: O transplante possibilita que o paciente retome a vida com um ritmo praticamente idêntico ao normal. Podem voltar ao trabalho, estudar, viajar. No entanto, ainda exige consultas regulares com nefrologista para reavaliação da função do enxerto e ajuste dos medicamentos imunossupressores.
Quem: Como funciona a diálise?
EdT: A hemodiálise consiste em um método de "filtrar" as impurezas do sangue, regular eletrólitos, controlar pH sanguíneo e normalizar a quantidade de líquidos no corpo. O sangue circula por um sistema fechado a partir de um acesso venoso (cateter ou fístula), passando pelo filtro de hemodiálise. Geralmente, os pacientes precisam ir 3 vezes por semana ao centro de diálise, mas isso pode variar.
Quem: O Faustão, no caso, vai ao hospital fazer a diálise 2 vezes por semana. Qual é o mínimo e máximo?
EdT: Não há um número mínimo e máximo de sessões de hemodiálise para os pacientes. A estratégia é individualizada para cada caso, havendo vários fatores para considerar, como por exemplo a quantidade de urina produzida pelo corpo. No caso de um transplante renal com doador falecido, é bastante frequente realizar algumas sessões de hemodiálise até que exista boa função do enxerto. Caso o rim transplantado não recupere a sua função, a hemodiálise será mantida por tempo indeterminado.
Quem: Por quanto tempo o paciente tem que se submeter à diálise após transplante? É para a vida toda?
EdT: Após o transplante, o paciente deve manter uso diário de imunossupressores, além dos medicamentos para suas doenças pré-existentes (remédios de pressão, diabetes...). Precisará passar em consultas frequentes e regulares com o nefrologista assistente, que reavaliará os medicamentos e a função do enxerto renal. Eventualmente poderá ocorrer alguma internação para tratamento de complicações, como rejeição
Quem: Além da rejeição do órgão, existe alguma outra causa que faz com que o paciente tenha que passar novamente por transplante?
EdT: A ausência de funcionamento do transplante de rim pode ocorrer por inúmeras causas: rejeição, infecções, problemas vasculares, disfunções da bexiga. Caso não haja um bom funcionamento dentro de um período de 60-90 dias (pode ser até um tempo maior), o paciente retornará para a hemodiálise e poderá ser preparado para um novo transplante.
Quem: Como funciona a fila de espera para o órgão?
EdT: A fila para o transplante de rim é baseada na compatibilidade, e não apenas no número de inscrição. São considerados fatores como: compatibilidade de sangue e HLA, imunização, tempo em fila, idade.
Quem: No caso do Faustão, que é um homem de 74 anos, qual é a implicação de uma cirurgia como essa?
Quem: A idade não é mais um fator tão limitante quanto antes para o transplante renal. Em geral, adota-se o limite de 75 anos para o rim, mas é discutível. Apesar disso, as pessoas com mais de 70 anos e que tenham comorbidades associadas (hipertensão, diabetes, cardiopatias) têm menor chance de sucesso no transplante e maior risco de complicações clínicas e cirúrgicas. Mais uma vez, é importante ressaltar que os casos precisam ser individualizados.






